Potencial anticárie de dentifrícios com baixa concentração de flúor encontrados no mercado brasileiro

Resumo

Dentifrícios de baixa concentração de fluoreto (F) (< 600 μg F/g) estão amplamente disponíveis no mundo, mas ainda não há evidência para recomendar seu uso, quer seja em formulações regulares ou melhoradas.

Objetivos: O objetivo deste estudo foi avaliar o potencial anticárie de dentifrícios de baixa concentração de fluoreto encontrados no mercado brasileiro, utilizando um modelo de ciclagens de pH validado e testado.

Materiais e Métodos: Blocos de esmalte bovinos foram selecionados pela dureza de superfície e randomizados em quatro grupos (n=12): dentifrício sem fluoreto (controle negativo), dentifrício de baixa concentração de fluoreto (500 μg F/g), dentifrício acidulado de baixa concentração de fluoreto (550 μg F/g) e dentifrício de 1100 μg F/g (controle positivo). Os blocos foram submetidos ao regime de ciclagem de pH por 8 dias e tratados 2 x/dia com suspensões aquosas dos dentifrícios (1:3 p/v). O pH das suspensões foi checado, e apenas o acidulado tinha baixo pH. Após a ciclagem de pH, a dureza de superfície foi novamente determinada e a porcentagem de perda de dureza foi calculada como indicador de demineralização. As concentrações de fluoreto fracamente e firmemente ligado ao esmalte também foram determinadas. O dentifrício de 1.100 μg F/g foi mais efetivo do que os de baixa concentração na redução da desmineralização do esmalte e foi o único que diferiu significativamente do não fluoretado (p<0,05). Todos os dentifrícios fluoretados foram capazes de formar maiores concentrações de fluoreto fracamente ligado ao esmalte do que o não fluoretado (p<0,05), mas o de 1.100 μg F/g foi o único que diferiu do não fluoretado na capacidade de formar fluoreto firmemente ligado ao esmalte. Os resultados sugerem que dentifrícios de baixa concentração de fluoreto disponíveis no mercado brasileiro, independentemente da formulação, não têm potencial anticárie.


Comentários sobre o estudo

O presente estudo apresenta dados relevantes sobre um assunto muito presente no dia-a-dia clínico do cirurgião-dentista, e pode ser utilizado como referência na indicação de dentifrícios com baixa concentração de flúor (500µgF/g), dentifrícios acidulados com baixa concentração de flúor (500µgF/g) ou com concentração convencional de flúor (1100µgF/g) aos pacientes com atividade de cárie. Frente aos resultados demonstrados no estudo, o único dentifrício que apresentou potencial anticáries, utilizando a metodologia testada, foi o dentifrício com concentração de 1100µgF/g, sendo que os dentifrícios com baixa concentração de flúor disponíveis no mercado brasileiro, não apresentaram este potencial independente de sua formulação.


Tabela 1. Flúor solúvel (F) (média± DP, n=3) e pH (média± DP, n=4) das suspensões preparadas com os dentifrícios.


Tabela 2. Porcentagem de perda da dureza superficial do esmalte (%PDS) e concentração de flúor (F) no esmalte após ciclagem de pH (média± DP, n=12).


Tabela 3. Concentração de flúor (F) nas soluções des-remineralizantes após a ciclagem de pH (média± DP, n=12).


Referências

Ortiz AC, Tenuta LM, Tabchoury CPM, Cury JA. Anticaries Potential of Low Fluoride Dentifrices Found in The Brazilian Market. Braz Dent J., v.27, n.1, p.1-5 2016.