Incidência de carie dentária na dentição decídua e fatores de risco: um estudo longitudinal

Resumo

Objetivos: Os objetivos deste estudo longitudinal prospectivo de base populacional foram de estimar a incidência de cárie dentária na dentição decídua, identificar fatores de risco e determinar a proporção de crianças recebendo tratamento dentário, através de um acompanhamento de dois anos.

Materiais e Métodos: O primeiro exame dentário foi conduzido com 381 crianças de um a cinco anos de idade, em centros de saúde durante campanhas de imunização; 184 delas tinham cárie dentária e 197 não tinham experiência de carie. O segundo exame foi feito dois anos depois em uma creche ou em casa com os mesmos indivíduos que participaram no primeiro exame. O diagnóstico de cárie dentária foi realizado utilizando-se o critério ceod. Os pais foram entrevistados em relação aos indicadores socioeconômicos. Foi feita análise de regressão de Poisson descritiva, bivariada e ajustada. Dentre as 381 crianças, 234 foram reexaminadas depois de dois anos (não-expostas: 139; expostas: 95). A incidência geral de cárie foi de 46,6%. A maior incidência de cárie dentária foi encontrada no grupo de crianças com experiência prévia de cárie (61.1%). Entre as crianças sem experiência de cárie no primeiro exame, 36,7% exibiram cárie no segundo exame. A maior parte das crianças (72,6%) não havia recebido tratamento para lesões cariosas no intervalo de dois anos entre os exames. Crianças com histórico de cárie dentária (RR: 1,52; 95%IC: 1,12-2,05) tiveram um maior risco de desenvolver novas lesões, comparadas com crianças sem experiência de cárie. A incidência de cárie dentária foi alta e a maioria das lesões não foi tratada. A experiência prévia de cárie é um fator de risco para o desenvolvimento de novas lesões de cárie em crianças.


Comentários sobre o estudo

O estudo mostrou que cárie dentária é uma doença com alta incidência em crianças e que a maioria delas não recebeu nenhum tratamento. Na população estudada, aproximadamente 1 em cada 2 crianças apresentava experiência de cárie ao primeiro exame oral. Após o acompanhamento de 2 anos e através de um segundo exame oral, o grupo de crianças que não apresentava cárie inicialmente foi o que apresentou menor incidência da doença. A qualidade da higiene oral também influenciou a incidência de cárie dentária, porém não de forma tão clara. Portanto, a experência prévia de cárie deve ser levada em consideração como um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de novas lesões cariosas em crianças.


Tabela 1. Características dos participantes do estudo no baseline (n=381).


Tabela 5. Risco relativo e intervalo de confiança para a associação entre experiência de cárie no primeiro exame, higiene oral e novas lesões de cárie.


Referências

Corrêa-Faria P; Paixão-Gonçalvez S, Paiva SM, Pordeus IA. Incidence of dental caries in primary dentition and risk factors: a longitudinal study. Braz. Oral Res., v.30, n.1, p.1-8, jan/mar 2016.